segunda-feira, 21 de março de 2011

Aprender a ser só

Uma coisa que eu aprendi muito cedo na minha vida foi a ser só. A melodia morosa de Marcos Vale e Paulo César Vale nunca foi o samba enredo da minha vida. E, agora, depois de cabra véia e passada na casca do alho, como se diz por aqui, é que não será.

Aprendi a ser sozinha nos primórdios, ainda criança, quando na festa do dia dos pais da escola eu mesma tive que ir lá à frente da mesinha pegar o presente do meu pai porque confundi o dia da festinha e esqueci de faltar a aula. Aprendi a ser só durante a noite, quando minha mãe fazia faculdade e eu fingia que estava dormindo esperando caladinha a hora dela chegar. Aprendi a ser sozinha quando resolvi fugir de casa depois de uma grande briga de família, e, ainda que tenha voltado dois dias depois, o frio na barriga e o desespero da desproteção me fizeram levantar a cabeça e enfrentar a rua sozinha. Aprendi a ser sozinha quando me apaixonei por um garoto na escola e tinha muito medo que ele descobrisse que eu gostava dele. Ele era tão simpático, sorria pra mim na hora do intervalo e eu me apaixonei. Mas, aprendi a ser sozinha, quando ele passou na minha frente namorando a garota do Ensino Médio. Ah, também aprendi a ser sozinha quando perdi por meio milésimo de segundo a medalha de ouro em natação na especialidade que eu treinei o ano inteiro; perdi a medalha por meio milésimo de segundo nadando costas e não era a dor de ter perdido a medalha, era a dor de ter perdido no estadual para aquela menina que me soltava piadadinhas porque eu não era magrinha como ela. A solidão neste dia doeu. Aprendi a ser sozinha trancada no meu quarto, ouvindo o que eu gosto de ouvir, lendo o que eu gosto de ler. Aprendi a ser sozinha me dando prazer. Aprendi a ser sozinha viajando, correndo, falando, sozinha. Rá também aprendi com as futilidades, nas horas vagas que não tinha com quem brincar, conversar, beber. Aprendi a ser sozinha me decepcionando com as pessoas e jurando em lágrimas diante do espelho que nunca mais ia acreditar em ninguém e, quando menos esperei, me flagrei sorrindo sozinha por estar acreditando mais do que deveria em todo mundo. Aprendi a ser sozinha nas dores de amor. No medo do novo amor quando está chegando e no desespero do ex amor quando está partindo. Aprendi muito com a solidão acompanhada. Com a solidão durante o abraço, durante o beijo, durante. Aprendi que a solidão não tem nada a ver com a multidão de quem se tem ao redor e sim com a presença única e insubstituível de quem se tem distante. Aprendi que muitas tardes ensolaradas não me valeriam de nada se o outro dia não amanhecesse. Aprendi a ser só sendo amada, quando soube que o meu amor deveria ser independente do amor do outro. Aprendi a ser no silêncio, no barulho. Na falta de companhia no leito do hospital. Aprendi a ser só nas melhores situações. Nas piores aprendi. Aprendi tanto a ser só que tem horas que me abandono e nem me sinto falta. Aprendi e ainda me sinto. Mas sei sentir. Só.

Texto de Larissa Gabrielle no Blog "Laris."

Pra Ouvir

sábado, 26 de fevereiro de 2011

Por que?

Porque tem coisas que eu sei que podem nunca mais acontecer
Porque eu tenho medo de acreditar que essas coisas realmente nunca mais aconteçam
Porque eu sei que tem coisas que ainda vão acontecer
Porque eu não sei quando
Porque tem o rio, as colinas, o verde, o vermelho, o suco de maçã e aquela  bolacha recheada
Porque tem pessoas
Porque dói, machuca, fere, sangra, chora e se desespera
Porque eu sei que dessa vez pode ser diferente
Porque eu tenho medo
Porque medo não vai me levar a lugar algum

sábado, 29 de janeiro de 2011

Cantoras que você deveria conhecer: Nikka Costa


Quem é?
Filha de um dos produtores musicais mais famosos dos anos 60/70 e afilhada de Frank Sinatra, Nikka foi uma grande estrela infantil dos anos 70 e passou toda a sua infância convivendo com gente de peso do mundo da música. O grande problema é que como toda estrela infantil, ficou esquecida depois de adulta, mesmo tendo feito ótimos trabalhos ela ainda é conhecida como a menininha ruiva do hit “On My Own”.

O que ela canta?
Nikka faz uma mistura ótima de Funk, R&B, Soul, Blues e Rock que resultam no tipo de música certa pra sacordir o esqueleto, mas também tem ótimos momentos românticos de baladinhas suaves.

Por que ouvir?
Pra dar um sopro de talento aos seus ouvidos! Mesmo com toda a mistura de ritmos, Nikka faz música pop, só que faz isso com muito talento e com a competência de quem sabe o que esta fazendo. Se isso pra você não é motivo suficiente pra ouvir, então vai só pela voz dela mesmo, que é “fódonica”!

Por onde começar?
Todos os álbuns da fase adulta de Nikka valem muito a pena de serem ouvidos do inicio ao fim, mas se você esta mais acostumado com as músicas que tocam no rádio, comece ouvindo o novo single “Ching, Ching, Ching” ou a balada “I Gotta Know”. Agora se os seus ouvidos já são acostumados a ouvir musica boa, comece direto com “Can'tneverdidnothin’” ou então o fantástico cover de “Funkier Than A Mosquitoes Tweeter”.

fevereiro